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Mais clichê...blá, blá, blá...

          "Qualquer atitude que exclua ou separe os grupos humanos tem de ser vista como um crime contra toda a humanidade." - Gandhi

           Desde que iniciei esse blog, falo sobre o respeito às diversidades. Sabe, pessoal, eu sou nova no Orkut, mas estou absolutamente chocada diante do número de comunidades racistas e preconceituosas que encontrei. Claro, em contrapartida, há muita coisa boa por lá, ontem mesmo entrei numa comunidade chamada Languages of the World. Muito, muito boa ! Confiram quando puderem.

          Bem, para não finalizar o ano de 2004 com uma nota triste e a fim de prestigiar cada vez mais a diversidade em todos os seus níveis, aí vai a expressão FELIZ ANO NOVO escrita em 40 idiomas diferentes :

Afrikaans - Gelukkige nuwe jaar

Arabic - Antum salimoun

Bengali - Shuvo Nabo Barsho

Chinese - Chu Shen Tan

Czechoslovakia - Scastny Novy Rok

Dutch - Gelukkig Nieuwjaar

English - Happy New Year!

Eskimo - Kiortame pivdluaritlo

Finnish - Onnellista Uutta Vuotta

French - Bonne Annee

Gaelic - Bliadhna mhath ur

German - Prosit Neujahr

Greek - Kenourios Chronos

Hawaiian - Hauoli Makahiki Hou

Hebrew - L'Shannah Tovah

Hindi - Subh Nab Bars

Iraqi - Sanah Jadidah

Irish - Bliain nua fe mhaise dhuit

Italian - Buon Capodanno

Kisii - Somwaka omoyia owuya

Khmer - Sua Sdei tfnam tmei

Laotian - Sabai dee pee mai

Norwegian - Godt Nyttar

Papua New Guinea - Nupela yia i go long y

Philippines - Manigong Bagong Taon

Polish - Szczesliwego Nowego Roku

Portuguese - Feliz Ano Novo

Punjabi - Nave sal di mubarak

Russian - S Novim Godom

Serbo-Croatian - Scecna nova godina

Singhalese - Subha Aluth Awrudhak Vewa

Slovak - A stastlivy Novy Rok

Spanish - Feliz Ano Nuevo

Swahili - Heri Za Mwaka Mpya

Sudanese - Warsa Enggal

Telegu - Noothana samvatsara shubhakankshalu

Thai - Sawadee Pee Mai

Turkish - Yiliniz Kutlu Olsun

Ukrainian - Shchastlyvoho Novoho Roku

Vietnamese - Chuc Mung Tan Nien

 

Urdu - Naya Saal Mubarak

 



 Escrito por Laura Beatriz às 13h35 [] [envie esta mensagem]



UMA NOTA TRISTÍSSIMA !

O falecimento da brilhante intelectual, ativista e escritora Susan Sontag é de fato uma nota tristíssima. Nem consigo comentar tal evento. Deixo apenas este registro acompanhado de meu mais profundo pesar.

Selecionei para vocês, queridos amigos, um site que apresenta todas as obras de Sontag. Leitura indispensável !

Anotem aí : http://www.susansontag.com/books.htm

 

 

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 18h13 [] [envie esta mensagem]



Minha receita para 2005 - Drummond e PAZ !

Amigos, muito obrigada por sua companhia em 2004. Quanta gente inteligente e criativa passou por este simplório bloguinho e quantas discussões instigantes travamos, como eu sempre digo, um viva à Dialética ! 

Ah !  Não posso perder a oportunidade de apresentar um poema de Drummond. Vocês já devem conhecer o poema Receita de Ano Novo. Mas, de qualquer forma, vale sentí-lo novamente.

Ambigüidade proposital a partir do verbo sentir, portanto sinta a Drummond e ao poema.

Receita de Ano Novo 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, 
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

"A PAZ INVADIU O MEU CORAÇÃO..."

A foto abaixo é tão clichê, mas, enfim... PAZ é o meu pedido para o próximo ano. Putz ! Essa frase também é absolutamente clichê. Eu sei.

Mas, gostaria de ressaltar que me refiro à Paz do micro ao macrouniverso humano. No microuniverso, esse sentimento, essa utopia, como queiram, assenta - se na formação de idéias e valores mais humanitários e desprendidos de tanto egocentrismo. 

Muito utópicos os anseios e desejos dessa egocêntrica em fase de recuperação ?

 

 
        Feliz 2005 e Boas festas !!!

 

 

 

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 12h13 [] [envie esta mensagem]



Citacionismo - Parte 2

 

O querido amigo e mestre de RPG, Rick, por esses dias escreveu um capítulo da história Guerreiros do Hollocausto, o Mistérios, no qual ele falava sobre a imortalidade da alma. Naquele mesmo instante, pensei na obra intitulada EYE do grande artista Escher.  Rick, querido, conforme eu havia prometido, aí está a obra de que lhe falei.

Amigos, desculpem-me pela morbidez, mas devo admitir que a própria idéia de FIM do ano me impulsiona a refletir sobre a finitude de tudo e de todos. Sim, eu sei o quanto isso é tétrico !

 

Algumas observações :

Para ir ao blog do Rick, clique ao lado em RPG - Guerreiros do Hollocausto.

Para conferir outros trabalhos de Escher, se é que você não o conhece, vá ao site Enigmas on line, aí vai o endereço : http://enigmasonline.com/htm/escher3.htm

 

Para finalizar este post :

Se aprofundarmos o nosso olhar, perceberemos que a própria Ceia Natalina traz consigo um ato de vida e de morte. A escritora Clarice Lispector escreveu um texto muito imteressante sobre o assunto.

Uma Galinha


Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.

Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se pode­ria contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, pare­cia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:

— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!

Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:

— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!

— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.

Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.

Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.

Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.

Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

( Clarisse Lispector - Laços de Família - Edirora Rocco - p. 30 - Rio de Janeiro )

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 01h36 [] [envie esta mensagem]



O Citacionismo !

          Amigos, devo confessar-lhes que aderi ao Citacionismo por pura falta de tempo. Daqui até o último dia deste ano, eu me transformarei numa citadora profissional. Tive o cuidado de selecionar textos muito interessantes. Espero que todos gostem !

         Bem, para começar essa minha experiência "citacional" blogueira e a fim de refletirmos sobre um sentimento que inspira a todos nesta época do ano, a CARIDADE, ofereço um dos trechos da obra Assim falava Zaratustra do grande filósofo Nietzsche.

P.S. : Aos amigos blogueiros, por favor, desculpem-me pela ausência. Muito em breve pretendo passar nos blogs de todos. Aliás, já estou sentindo falta deste contato quase diário que estabelecemos.

Sobre a CARIDADE !

Vós outros andais muito solícitos em redor do próximo, e a vossa solicitude exprime-se em belas palavras. Mas eu vos digo: o vosso amor ao próximo é apenas o vosso mau amor por vós próprios.
É para fugirdes de vós que andais em volta do próximo, e quereríeis converter isso numa virtude; mas pus a claro o vosso «desinteresse».
(...) Não suportais a vossa própria companhia, e não vos amais o suficiente; procurais então seduzir o próximo com o vosso amor e doirar-vos com o seu erro.
Eu quisera que todos os próximos e aqueles que se seguem se vos tornassem intoleráveis: assim teríeis de extrair de vós mesmos o amigo de coração transbordante.
Convocais uma testemunha quando quereis dizer bem de vós; e logo que a haveis induzido a pensar bem da vossa pessoa, vós mesmos pensais bem da vossa pessoa.
É mentiroso não só o que fala contra a sua consciência, mas também o que fala contra a sua inconsciência. Ora é assim que falais de vós no trânsito diário, e que enganais o próximo e a vós mesmos.
Assim fala o louco: "O convívio dos homens estraga o carácter, sobretudo quando não tem carácter".
Um procura o próximo porque se procura, o outro porque anseia perder-se. O vosso mau amor por vós próprios converte a vossa solidão num cativeiro.

Friedrich Nietzsche, in "Assim Falava Zaratustra"

Alguns comentários sobre o assunto :

"No Natal, come-se fartamente e gasta-se muito com presentes. Quem pode usufruir sente culpa. O modo de lidar com esse sentimento é favorecer os outros, para que eles tenham uma coisa melhor do que o nada. É um modo de expiação da culpa, não apenas a do Natal, mas a do ano todo, diz Ari Rehfeld, professor de psicologia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

"As pessoas procuram emendar o que não fizeram. Ficam mais generosas e praticam boas ações para consertar o que fizeram de errado ou para aliviar o sentimento de culpa", afirma Maurício Knobel, professor de psiquiatria da Universidade Estadual de Campinas.

"Esta época do ano é um momento de congraçamento porque o Natal e as festas de fim de ano suscitam os sentimentos comunitários, de família e de amizade. No final do ano também se estabelecem os balanços da vida, quando costuma-se estar mais aberto para os outros e para os problemas que não são só os seus", diz Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora de sociologia da USP (Universidade de São Paulo).

 

 

 

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 03h06 [] [envie esta mensagem]



Saint Exupéry, Magritte e a Vitória !

Todo o mundo já leu ou pelo menos já ouviu falar do livro "O Pequeno príncipe" de Saint Exupéry. Alguns de meus amigos, inclusive, afirmam que esse e o best-seller "O Mundo de Sofia" são os livros preferidos das candidatas a concursos de beleza, as quais, segundo se pressupõe, não são adeptas da leitura. Ainda que você, querido amigo e leitor, não aprecie a literatura de Exupéry, eu gostaria de lhe apresentar uma semelhança que encontrei entre o trabalho desse escritor, as telas de Magritte e os pensamentozinhos de minha sobrinha Vitória. 

Em "O Pequeno príncipe", como todos já sabem, Exupéry nos conduz ao universo infantil. O livro inicia com a  personagem principal narrando um evento que lhe  ocorreu aos seis anos de idade. Leia o trecho abaixo :

"Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, "Histórias Vividas", uma imponente gravura. Representava ela uma jibóia que engolia uma fera. Eis a cópia do desenho.

Dizia o livro: "As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão."

Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. Meu desenho número 1 era assim:

Mostrei minha obra prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo.

Respondera-me: "Por que é que um CHAPÉU faria medo?"

Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações. Meu desenho número 2 era assim:

As pessoas grandes aconselharam-me a deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando."

Após ler esse  trecho, observe uma das mais conhecidas obras de Magritte, na qual o pintor nos provoca com a seguinte frase : ISSO NÃO É UM CACHIMBO. 

Mas, ao olharmos para a gravura novamente, continuamos a ver um cachimbo. O pintor Renê Magritte divertia-se diante do inconformismo que essa negação provocava nas pessoas. Afinal, desde muito cedo, somos levados a associar uma palavra a um objeto. Magritte e os demais pintores surrealistas conseguiram transportar questionamentos do universo lingüístico para o âmbito das Artes Plástiicas e o trabalho desses artistas nos leva a refletir que a imagem e a palavra "cachimbo" não são de fato o cachimbo. O escritor e músico Arnaldo Antunes, autor do livro "Duas ou mais coisas no mesmo espaço", escreveu o seguinte sobre esse tema : "os nomes das coisas, não são as coisas, as coisas simplesmente são"  Sim, independente de nossa vontade e necessidade de nomear tudo o que há no mundo, os objetos são, antes mesmo de serem nomeados.

É impressionante observar como as crianças, quando desenham, são capazes de ver num só "rabisco" uma enormidade de coisas. Minha amada sobrinha de quatro anos, a Vitória, certa vez me presenteou com uma folha repleta de abstrações e papeizinhos grudados e disse : "Tia, desenhei para você uma floresta cheia de bichos." Vale ressaltar que os papéis colados na folha de sulfite representavam os animais da floresta da Vitória Percebam que assim como Magritte, a Vitória e a personagem de Saint Exupery são capazes de ver além do objeto e da palavra que o designa. Magritte costumava afirmar que arrancamos das crianças, por ntermédio de obtusos e enclaurados sistemas de ensino, a sua capacidade infinita de ver o mundo e, ainda segundo esse pintor, nascemos dotados de uma espécie de genialidade e aos poucos, conforme crescemos, vamos emburrecendo o nosso olhar e a nossa  percepção. Sim, há de fato muitas semelhanças entre os escritos de Exupéry, as obras plásticas de Magritte e a liberdade presente nos curiosos olhos de minha sobrinha e de todas as crianças.

 

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 16h41 [] [envie esta mensagem]



Uma proposta de leitura !

Carlos Drummond de Andrade

QUADRILA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Primeira estrofe :

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

Segunda estrofe :

João foi para o Estados  Unidos, Teresa para o convento, 

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes,

que não tinha entrado na história.

   Há muito o poema "Quadrilha" me fascina por sua simplicidade formal  e  beleza de conteúdo. A escolha  que Drummond faz das palavras confere muito significado a esse trabalho poético, minha opinião. A seleção do verbo amar no pretérito imperfeito (amava), por exemplo, além de dinamizar a narrativa, confere-lhe efeito de circularidade. Faça o teste :  Troque o verbo amava (pretérito imperfeito) pela forma verbal amou (pretérito perfeito). Você certamente perceberá que o poema perde toda a sua musicalidade e dinamismo.

    Observe como o verso ficaria se a forma verbal fosse alterada : João amou Tereza que amou Raimundo. Ação finalizada. Amou e não ama mais. Fim.

    Mas o poeta sabia que a Quadrilha é  dança, a dança dos amores que vêm e vão e, segundo a ótica (um pouco pessimista) de Carlos, o AMOR não é um sentimento recíproco, ou seja, na dança da vida, estaríamos fadados ao desespero de amar sem sermos amados. Será ? Chico Buarque ao compor a maravilhosa canção "Flor da Idade" estabeleceu uma relação intertextual com esse poema, mas nos versos escritos por Chico, apesar de rara, a reciprocidade amorosa é possível. Ufa ! Também acredito nisso. (rs) Aliás, não deixem de ouvir "Flor da Idade".

   Ainda  sobre os tempos verbais, pode-se observar que na segunda estrofe, quando o poeta se refere a assuntos da vida cotidiana, a forma verbal privilegiada passa a ser o pretérito perfeito, observe : casou, morreu, mudou, foi, suicidou-se...Todas ações acabadas,

   Outro detalhe que me chama a atenção é o fato de que as personagens desse poema-narrativa possuem nomes  e  são parte da quadrilha, ou seja, metaforicamente, arriscam-se ao amor. Apenas Lili dança a quadrilha e, apesar de não amar ninguém e não possuir exatamente um nome, casa-se com J. Pinto Fernandes que é conhecido pelo leitor apenas no final desta história. A partir da leitura dos dois últimos versos, pode-se afirmar o seguinte: Lili não se casou por amor, afinal ela não amava ninguém; a personagem com quem Lili se casou, J. Pinto Fernandes, não tem um nome, mas um sobrenome. E, cá entre nós, J. Pinto Fernandes mais parece a razão social de uma empresa e, portanto, teria Lili se casado por interesse ? Acredito que sim. A criação dessas personagens sem nome parece ser uma crítica do poeta aos casamentos movidos por interesses materiais. O sobrenome da personagem sem essência e sem nome, J., parece apontar para essa possibilidade de leitura.  E  quanto a Joaquim : que motivo o conduziu  ao suicídio ? Pois é, ainda que Drummond nos apresente um trágico universo de relações amorosas, quanta sensibiliade há nestas inspiradas linhas. Sim ? 



 Escrito por Laura Beatriz às 04h11 [] [envie esta mensagem]



Filosofando na praça !

Há quanto tempo eu não lia Manuel de Barros ! Ontem reli o "Livro das ignorãnças", de onde retirei os trechos abaixo. Aliás, leitura indispensável para aqueles que pretendem relembrar de suas "ignorãnças".

Pessoal, estou na praça cuspindo conversa com os amigos, apareçam por lá e deixem os seus comentários. O endereço é www.zeooutro.zip.net

Mundo Pequeno

IX
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.

===========================

Uma Didática da Invenção

I
O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.



 Escrito por Laura Beatriz às 01h27 [] [envie esta mensagem]



NUMA FASE GONÇALVES DIAS !

Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,
Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühen?
Kennst du es wohl? — Dahin, dahin!
Möchtl ich... ziehn. *
 ( Mignon, de Goethe )

Conheces a região onde florescem os limoeiros ?
laranjas de ouro ardem no verde escuro da folhagem;
conheces bem ? Nesse lugar,
eu desejava estar"  (Mignon, de Goethe)

CANÇÃO DO EXÍLIO

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

( Gonçalves Dias )

Coimbra - julho 1843.

    Estou setindo BANZO. Historicamente, trata-se de uma nostalgia mortal que acometia os negros trazidos como escravos para o Brasil. E, segundo afirma o professor João Ribeiro : "uma moléstia  estranha, que é a saudade da pátria, uma espécie de loucura nostálgica ou suicídio forçado, o Banzo, dizimava os negros por inanição ou fastio, ou os tornava apáticos."

    Comprovei, finalmente, a teoria de que a saudade provoca DOR. Nestas duas últimas semanas, tenho sentido uma dor imensa que vai do meu estômago até o meu peito e que invade todo o meu cérebro. É um sentir solitário, uma sensação de deserto, de abandono. A memória é algo aterrorizador e combinada à distância cumpre o papel de vivificar ainda mais os fatos passados e a imagem das pessoas queridas. Pos esses dias, navegando na Internet, tive a atitude estúpida de lançar no Google a palavra Banzo e me deparei com um site especializado em redescobrir o passado. Para os curiosos, o endereço do site é www.banzo.com.br.

     Bem, é isso, ando numa fase Gonçalves Dias, sinto saudade das palmeiras e do canto do sabiá e, sim, reside em mim uma certa sensação de exílio. O indispensável poeta Mário Quintana definiu a saudade da seguinte maneira : "Para sempre é muito tempo, o tempo não pára, só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo..." Quintana tem razão, a contagem do tempo se modifica para aquele que é acometido por tal sentimento. Atualmente, vivo de boas e de más lembranças e, apesar de estar feliz, cheia de projetos, amando e sendo amada, o desejo de regressar à aconchegante terra natal é muito forte. Compreendo perfeitamente o que sentiram os nossos irmãos afro-brasileiros ao serem retirados de sua Mãe África e lançados no Novo Mundo.

    Ontem revi as fotos de uma viagem que Ronnie e eu fizemos, no ano passado, à cidade de Paraty- RJ. Tivemos dias maravilhosos e pudemos desfrutar de toda a beleza natural, típica de nossa querida mátria. Sim, é berço, é mãe e, portanto, MÁTRIA Brasil. Coloquei algumas das fotos dessa inesquecível viagem no nosso fotoblog. Se quiserem acessá-lo, basta clicar em CRIAMOS UM FOTOBLOG, link ao lado.

    Para finalizar e movida por um sentimento avassalador de saudade, aproveito para mandar um forte abraço a todos os parentes e amigos de São Paulo, do Rio de Janeiro, da Bahia, do Recife e a todos aqueles que, assim como eu, vivem como imigrantes em terras estrangeiras.

       



 Escrito por Laura Beatriz às 02h36 [] [envie esta mensagem]



Não será a bondade recompensa da bondade ? ( Alcorão, LV, 60 )

Semana passada, um ordinário, porém significativo evento me chamou a atenção. Cynthie, mãe de meu namorado, recebeu um e-mail com uma mensagem em anexo. Trata-se de uma texto que está sendo enviado a muitos estadunidenses. Uma das primas de Cynthie, P.N., evangélica ardorosa, foi quem enviou essa mensagem a Cynthie. Isso mexeu muito comigo, pois tive a oportunidade de conhecer P.N. e, acreditem, trata-se de uma pessoa de bom coração e muito querida por todos. Talvez por isso, eu tenha ficado tão chocada diante de tanta intolerância.

Texto introdutório :

How ironic is this !!?? They don't even believe in Jesus Christ and they're getting their own Christmas stamp.

P.N.

Tradução do texto introdutório : Como isto é irônico !? Eles (muçulmanos) nem acreditam em Jesus Cristo e conseguiram o seu próprio selo de Natal. (O Natal, nesse caso, é o Hamadan, feriado sagrado dos mulçumanos que foi comemorado este ano do dia 15 de outubro ao dia 15 de Novembro, a prima de Cynthie questiona o fato de o correio ter preparado selos especias para comemorar esta data.)

O texto abaixo foi escrito anonimamente e enviado à P.N. e, conseqüentemente, conforme vocês já sabem, foi enviado a Cynthie. E, a propósito, quantas pessoas mais receberam esta mensagem ? E, será que algum muçulmano leu o conteúdo deste texto ?

This is impossible to believe. If there is only one thing you forward today...Let it be this!

Remember the Muslin bombing of the World Trade Center in 1993 ! Remember the Muslin bombing of the military barracks in Saudi Arabia ! Remember the Muslin bombing os the American Embasssies in Africa ! Remenber the Muslin attack on the Twin Towers. Remember !!! All the American lives that were lost in those vicious Muslin attacks !

Now the United States Postal Office Remember e Honors the EID MULIN holiday season with the commemorative first class holiday post stamp. Remenber to BOYCOTT this stam when purchasing your stamps at the post office. To use this stamp would be a slap in the face to all those AMERICANS whons died at the hand of the hands those whon this stamp honors.

REMEMBER TO PASS THIS ALONG TO EVERY PATRIOTIC AMERICAN YOU KNOW.

Tradução do texto que segue em anexo :  Isto é impossível de acreditar!!! Se hoje você mandar uma mensagem a alguém, que seja esta ! Lembre-se do bombardeio muçulmano ao WTC em 1993. Lembre-se do bombardeio mulçumano aos quartéis militares da Arábia Saudita ! Lembre-se do bombardeio muçulmano às Embaixadas Americanas na África. Lembre-se do ataque muçulmano às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001 ! Lembre-se de todas as vidas de americanos que foram perdidas neste maligno ataque terrorista. Agora o Correio dos Estados Unidos da América lembra e honra o feriado muçulmano com um selo comemorativo de primeira classe. Lembre-se de boicotá-lo quando for comprar seus selos nos postos de correio. Usar este selo seria como dar um tapa na cara de todos os americanos que morreram nas mãos desses que estão sendo agora honrados. Lembre-se de passar este e-mail para todos os americanos patriotas que você conhece.

Após ler essas linhas, Cynthie afirma ter sentido medo e indignação, foram esses sentimentos que a impulsionaram a responder o e-mail de P.N. :

My dear cousins, their families and all of you who received this e-mail, I cannot help but speak up regarding this anti-Muslin outcry. We, here in MA, live among people the all over the world and Who have a variety of religions and languages.Did you Know that over 70 languages are spoken just here in MA ? Take a look the website of one of the agencies I interpret for : www.benoitinc.com You'll see a long list on the left. Mr Benoit himself is from the Puerto Rico. The people that I work with are from P.R., Ecuador, VietNam, Poland, and other places. We all get along just fine. This is the example of the USA. We must remember that now Americans citizens are Muslins and ead absolutely normal peaceful lives here with us. We have doctors, gas station owners ( very Frinedly, in fact), cashiers in Wal Marts, CVS's, Stop in Shop, etc, etc. Several of my neighbors are Muslins and I presonally feel very badly if any of them should happen uppon this e-mail. Please remember that the terrorists are the minority of the extremists. Most Muslins are much against the terrorists acts the violence.spreading hatred is not a way to come together to get along with and treatourneighbors as we would like to be trated. Yes, We were attacked, but not by ALL Muslins in the world. Also, There weren't just Americans citizens who died in the 9/11 tragedy; around 85 countries were represented among the dead. All working here in America Where jews and Arabs have been getting slong just fine for many years and now Muslins, Hindus and Buddhists, etc. In São Paulo, Brasil where you know I have been living for over 30 years it's exactly the same. Where there is no hatred, people live in PEACE together.

Let me close by asking you all to please poder this. If you do not agree, of course that is valid. I just feeel I must offer another point of view from one who loves living among a fascinanting variety of peoples right here in my old hometown! How it has changed ! There's even a huge Mosque being built right across from where Uncle Amos and Aunt Ellie lived at Briarwood. I haven't read one "peep" against it in the Worcester paper. This also is America.

Love to all of you,

Cynthie.

PESSOAL : A TRADUÇÃO DA CARTA DE CYNTHIE ESTÁ LOGO ABAIXO. : )



 Escrito por Laura Beatriz às 04h28 [] [envie esta mensagem]



Tradução da carta de Cynthie : Minhas queridas primas, seus familiares e todos aqueles que leram este e-mail. Eu não posso ajudá-los, mas gostaria de me expressar contra esse manifesto anti-muçulmanos. Nós, aqui em Massachussets, vivemos entre pessoas de todos os lugares do mundo e que possuem uma variedade de religiões e de idiomas. Vocês sabiam que mais de setenta línguas são faladas apenas aqui em Massachussets ? Dêem uma olhada no website de uma das agências para a qual  trabalho como tradutora-intérprete : www.benoitinc.com Vocês verão uma longa lista à esquerda. Sr. Benoit, por exemplo, é de Porto Rico. Aliás, as pessoas para quem eu trabalho são de Porto Rico, do Equador, do Vietnã, da Polônia e de outos lugares do mundo. E, a propósito, nos damos todos muito bem. Isso é um exemplo de USA. 

Devemos nos lembrar que muitos cidadãos americanos são muçulmanos e levam vidas absolutamente normais e pacíficas conosco. Nós temos médicos muçulmanos, proprietários de postos de gasolina, caixas do Wal Mart, da drogaria CVC, do supermercado Stop and Shop, etc, etc. Muitos de meus vizinhos são muçulmanos e eu, pessoalmente, me sentiria mal se eles tivessem acesso ao conteúdo desse e-mail. Por favor, lembrem-se de que os terroristas compõem uma minoria de extremistas. Muitos muçulmanos são contra os atos terroristas de violência. Espalhar o ódio não é a melhor maneira de nos unirmos a fim de nos darmos bem e tratarmos o nosso vizinho como gostaríamos de ser tratados. Sim, nós fomos atacados. Mas, não por todos os muçulmanos do mundo. E, além do mais, não foram apenas cidadãos americanos que morreram na tragédia de 11 de setembro; dentre as vítimas havia pessoas de 85 países diferentes. Todos trabalhando aqui nos USA, onde judeus e árabes se dão bem há muitos anos. Em São Paulo, Brasil, onde vivi por mais de trinta anos ocorre exatamente a mesma coisa, afinal onde não há ódio, as pessoas vivem em paz, juntas.

Deixe-me concluir com o pedido de que vocês ponderem essa questão.Se não concordam com minhas idéias, claro que isso é válido. Eu apenas senti que deveria oferecer o ponto de vista de alguém que ama viver entre a fascinante variedade de pessoas que existe aqui em minha cidade. Tudo está tão mudado. Uma grande mesquita está sendo construída atravessando a rua Briarwood, onde tio Amos e tia Ellie viveram. E, vale ressaltar ainda, que eu não li um "pio" sequer nos jornais de Worcester contra a contrução dessa mesquita. Isso também é América.

Com amor a todos vocês,

Cynthie.

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 04h10 [] [envie esta mensagem]



Enloucresça - TRANSFORME A SUA TV NUM AQUÁRIO !

             

    Enquanto estou ruminando o próximo post, aproveito para lançar a campanha : TRASNFORME A SUA TV NUM AQUÁRIO. ( Ou em qualquer outra coisa, eu sei, também me preocupo com os pobres peixinhos retirados de seu habitat natural. ) 

    Amigos, acreditem, o LIXO TELEVISIVO é um fenômeno mundial. O João Kleber dos americanos atende pelo nome de Jerry Springer, um idiota que apresenta um programa diário que tem por principal finalidade expor o universo das perversões humanas e, assim como ocorre nos programas brasileiros, tudo é combinado. 

    Creio que não é novidade para ninguém que há muito a televisão perdeu o seu caráter social e engajado. Atualmente, esse veículo se destina apenas à perpetuação de preconceitos e, costumeiramente, tem se valido do que há de pior na natureza humana, a tal da CURIOSIDADE MÓRBIDA, que, segundo afirmam alguns psicólogos, nos impulsiona a assistir determinado tipo de programação. 

      Eu, pessoalmente, radicalizo, recuso-me a assistir aos telejornais daqui, afinal todos são tendenciosamente republicanos. Os Talk Shows estão a cada dia que passa mais chatos, um porre; os filmes norte-americanos, salvo raras exceções, são péssimos, se comparados às pérolas de Truffaut e Godart. Enfim há pouquíssimo o que assistir na TV americana. Tenho um amigo maluquinho e muito querido, o Paul, que participa de um grupo chamado "I HATE THE TV", trata-se de um grupo anárquico da Universidade da Virginia, esse pessoal propõe simplesmente que não assistamos mais à TV. Gostei da idéia, acho que vou aderir.

     Fala-se muito pouco dos crimes corporativos. Atualmente, apenas um documentário, que eu saiba, disserta sobre o tema : o SUPER SIZE ME. Na minha opinião, esse é o mais subliminar de todos os crimes, pois, na maioria das vezes, assenta-se na idéia de que temos o direito à escolha e, portanto, somos sempre responsáveis por tudo o que nos acontece. O caso relatado em SUPER SIZE ME de duas adolescentes que processaram a rede de lanches McDonlad's por tê-las tornado obesas a princípio pode parecer maluquice, mas aos poucos vamos percebendo que essas grandes corporações capitalistas têm, sim, responsabilidade pelos danos causados às pessoas.

     Voltando à TV : sei da existência do controle remoto, mas numa sociedade como a brasileira, onde a educação está completamente sucateada e a Filosofia, a Literatura e a Arte são tratadas como mera perfumaria, parece que o bom-senso e o discernimento de alguns foi afetado por anos de exposição a todo esse lixo cultural. Lembram-se da reflexão trazida pelo Luís César sobre o antiindivíduo ? Para ver o debate, clique em CUSPIR CONVERSA. O individuo que deixou de ser uno e torna-se antiindivíduo, ou seja, produto do pensar, fazer e agir massificados. 

     Sob essa perspectiva, poderiam as pessoas de fato escolher ou apenas estariam reagindo aos estímulos promovidos por emissoras de televisão, que se especializaram na arte de trasnformar o grotesco e o perverso dos instintos humanos em números do IBOPE ? Para mim, esses grupos midiáticos cometem verdadeiros crimes corporativos contra toda a sociedade, alienando-a com programas pouco ou nada informativos e de valor cultural questionável. Uma amiga que vive aí no Brasil, em São Paulo, a Juliana, certa vez me disse que, na TV aberta, não adianta mudar de canal, pois o teor dos programas costuma ser muito parecido. A Jú sustenta a idéia de que em determinados horários há um determinado tipo de programação. Por exemplo, ao anoitecer, há um predomínio daqueles horríveis programas policiais. Faz sentido. Ou será que algo mudou desde que sai do Brasil ? Creio que não.

     Parece-me que a competição entre as emissoras de TV é estabelecida a partir do seguinte pressuposto : pouca variedade e muita baixaria. E, a propósito, quem escolheu todo esse lixo, eu, você, nós ou eles ? Tenho as minhas dúvidas... Da mesma forma que o Greenpeace exige às indústrias responsabilidade corporativa frente aos problemas ambientais. Acho interessante pensarmos sobre a responsabilidade desses veículos de comunicação junto à formação de idéias e valores.

 
 
Pessoal, há novas fotos no flog, para acessá-lo, basta clicar em "criamos um fotoblog", link ao lado.


 Escrito por Laura Beatriz às 20h47 [] [envie esta mensagem]



PASSEANDO NA PRAÇA !!

 

Cérebro quer conquistar o mundo, subverter toda a ordem existente. De forma caricatural, essa personagem representa nossas quixotescas aspirações e desejos de mudança. A gente também é ratinho, né ? Foi o Maikel lá do Psicotópicos que, de forma imagética, cuspiu essa conversa. Será que fiz a leitura correta da imagem postada ? Bem, de qualquer forma, eu adorei a idéia.

Pessoal, decidi dar uma volta por aí para refrescar a cuca. Tô lá na praça. Os amigos Kleber e Maikel me convidaram. Dêem uma passada por lá quando puderem. Posso lhes garantir que esse é um lugar muito bacana pra gente ler Patativa do Assaré e conversar. Ah ! Olha, para ir até a praça, basta clicar no CUSPIR CONVERSA, link ao lado.

Grande abraço e nos vemos por lá.

Inté a vorta, pessoar !

Há novas fotos no Fotoblog, do Halloween e do Inverno que se aproxima. Para acessá-lo, basta clicar em Criamos um fotoblog.



 Escrito por Laura Beatriz às 07h30 [] [envie esta mensagem]



Como seres UNIVERSAIS e DIVERSOS !

A luta pela PAZ nos transforma em SERES UNIVERSAIS, diante de tal urgência, eu não posso pertencer a essa ou àquela nação, grupo étnico ou religião, mas a TODO O MUNDO e à toda a sua diversidade.

RESSALVA : Pessoal, sei o quanto estou me tornando repetitiva e clichê com essa história de PAZ, mas, gente, trabalho vinculada a movimentos pacifistas há cinco anos e esse tema tem sido a minha obssessão. DESCULPEM - ME PELO EXCESSO !!! Prometo mudar de assunto no próximo post.

A Guerra É Aqui  -   TITÃS

 

by Branco Mello / Tony Bellotto / Charles Gavin / Paulo Miklos

Essa noite uma bomba vai explodir
Quem é que vai conseguir dormir?
Essa noite, essa noite, muitos tiros!
Quem é que vai ligar pra isso?

Se acontecer comigo ou com você
Vamos saber nos programas da TV
Que a culpa é minha ou é sua
Nao faz diferença nenhuma

A guerra é aqui, a guerra é aqui
A guerra é aqui, a guerra é aqui
A guerra é aqui, a guerra é aqui

Essa noite voce vai querer sair
Será que existe algum lugar pra ir?
Essa noite, essa noite, muitos gritos!
Quem é que vai ligar pra isso?

A guerra é aqui, a guerra é aqui
A guerra é aqui, a guerra é aqui
A guerra é aqui, a guerra é aqui

Hoje é o dia dos índios, das crianças e dos animais
Hoje é o dia dos negros , das mulheres e dos homossexuais
Hoje é o dia internacional da paz
Hoje amanhã não será nunca mais

Amanhã outro dia vai nascer
Quem se importa, quem quer saber?
Amanhã todos vão acordar
E a vida vai continuar

A guerra é aqui, a guerra é aqui
A guerra é aqui, a guerra é aqui
A guerra é aqui, a guerra é aqui

 

 



 

 

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 15h00 [] [envie esta mensagem]



O valor dos valores - Tema debatido ontem na CNN !

Gearald Thomas, em seu blog, aponta para o fato de que essa reeleição ocorreu devido ao padrão GGG, ou seja, GOD, GUNS AND GAYS !

Para que fique ainda mais claro, o GGG representa o seguinte conjunto de valores morais e culturais :

*amor a Deus, de preferência o Deus cristão e protestante;

*defesa irrestrita do porte de armas;

*repúdio aos homossexuais;

Apenas uma charge :

Retirada do site http://o-microbio.blogspot.com

 

 

 Será que a imagem ao lado consegue expressar como muitos americanos estão se sentindo diante da reeleição de George Bush ?



 Escrito por Laura Beatriz às 04h23 [] [envie esta mensagem]




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